Dois pesos, duas medidas: O Quênia fica distante dos Alpes.

Um ocorreu nesta quinta-feira, dia 02. Cento e quarenta e sete mortos e dezenas de  feridos, num ataque a Universidade de Garissa, leste do Quênia, ato de barbárie poucas vezes vistos.

O  outro ocorrido exatamente 14 dias.  Cento e cinquenta mortos, muitos relatos sobre a vida do copiloto que arremessou um Airbus 320 sobre os Alpes Franceses.

Para a primeira história, notinhas de rodapé nos grandes portais e pequenos chamados pelo gerador de caracteres nos telejornais, mesmo tratando-se de um ato terrorista fomentado por um braço da Al Qaeda, que como sabemos sempre é notícia.

Para a segunda história, opiniões de especialistas em distúrbios psicológicos, grandes mesas redondas em que todo o tipo de palpite é acatado como verdade absoluta, filósofos midiáticos dando seus pítacos conservadores sobre a necessidade de manter trancafiado em casa, como forma de tratamento, o copiloto alemão.

E porque a diferença no tratamento? Quem se interessa pelo Quênia, por estudantes negros e pobres do terceiro mundo?

Porque dedicar laudas, imagens e palpites para um país perdido no meio do continente africano, que o máximo que sabemos, é que todos os anos os seus atletas ganham as provas de São Silvestre realizadas nos finais de ano?

A reposta é simples mas a solução não é.

O Quênia fica distante dos Alpes… E pobre jamais será notícia para a nossa mídia corporativa e partidarizada.

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